Uma nova fase de desenvolvimento social se inicia na cidade de Salvador, em setembro de 1933, quando regressa do Rio de Janeiro o funcionário do Banco do Brasil, Rafael Levy Miranda, e se depara com a cidade povoada de mendigos, provenientes da seca que assolava o Nordeste desde 1928. Homem dedicado a questões assistenciais e para atender a essa nova realidade, entra na sociedade São Vicente de Paula ajudando assim, a impulsionar as autoridades para a construção de um abrigo para mendigos.

Após várias tentativas, Levy Miranda consegue a garantia do Prefeito José Americano da Costa para adquirir um velho casarão de 80 contos de reis, situado na Rua São José de Cima, bairro do Barbalho, contudo, a ocupação da referida casa foi impugnada pela Saúde Pública, que se recusou a fornecer o Alvará de Habite-se, alegando que o prédio precisava de muitos reparos. Levy Miranda, em prol da causa, foi à luta, resolvendo adquirir um prédio no terreno do Comendador Bernardo Martins Catharino, na mesma rua, número 17, que estava à venda por 140 contos de reis.

Escasso de recursos para a compra desse imóvel e informado por Henriqueta Martins Catarino, que o seu pai, Bernardo Martins Catarino pagava anualmente à prefeitura cerca de 50 contos de imposto predial, Levy Miranda, então, prometeu ao Comendador a isenção de impostos por três anos em troca da casa e, novamente, com o apoio do prefeito José Americano da Costa, adquire esse novo prédio que seria a primeira sede do Abrigo do Salvador. O próximo passo foi montar uma campanha, a qual objetivava adquirir donativos, visando adaptá-la para atender a sua demanda local, bem como meios de custeio para sua manutenção.

Seguiram-se campanhas financeiras junto a alta sociedade baiana, com a ajuda dos Vicentinos, além de festivais beneficentes, onde Levy Miranda por muitas vezes participou como artista amador. Aproximando-se da data de inauguração do prédio à Rua São José de Cima e com a ajuda do delegado Dr. Tancredo Teixeira da Silva e sua esposa Sra. Stela Calmon Navarro Teixeira, inicia-se a triagem dos mendigos que seriam acolhidos pela casa. Na mesma época foi formada a primeira Diretoria do Abrigo do Salvador, composta por comerciantes e membros da sociedade de São Vicente de Paula. Finalmente, em 24 de junho de 1934, foi inaugurada a primeira sede do Abrigo do Salvador.

Em março de 1935, Levy Miranda foi transferido para o Rio de Janeiro, onde quatro anos depois, fundou o Abrigo do Cristo Redentor. Retornou a Salvador em 1938 e, devido ao aumento no número de acolhidos, inicia-se a construção de uma  nova sede.  O novo abrigo foi construído graças à doação da Fazenda de São João de Campina Grande no bairro de Brotas, pelo interventor Landulpho Alves de Almeida. Levy Miranda regressa novamente ao Rio de Janeiro, voltando a Salvador em 1940, para compartilhar de uma campanha de donativos, na qual consegue arrecadar cerca de 4 mil contos de réis. Participam das promoções vários membros importantes da sociedade baiana, destacando-se a família Martins Catharino que por sua vez, financiou a construção de dois pavilhões. Finalmente, sob a presidência do Dr. Gileno Amado, em 11 de setembro de 1944, inaugura-se a nova e atual sede do Abrigo do Salvador. 

 

Clique aqui e conheça a história de nosso idealizador.
 
 
Desenvolvimento de sites e sistemas para web